Especialista alerta para o grande número de pessoas com mais de 60 anos que são sabe da doença.

Os dois filhos de J. A. S., de 61 anos, não desconfiam, mas há quatro anos o pai convive com o vírus HIV. O preconceito e o medo do julgamento da família afastam o aposentado da conversa com a família.

“Se já foi um baque para mim descobrir e lidar com isso, imagine para eles. Não estou pronto e não sei se estarei um dia”, afirmou o idoso, que admitiu ter deixado de usar o preservativo em relações sexuais. Esse aposentado faz parte da faixa etária das pessoas que menos usam camisinha, segundo os dados da Pecap (Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira), divulgada pela Secretaria Municipal da Saúde.

Às vésperas do Dia de Combate à Aids, na terça-feira,um dos alertas é o de que apenas três em cada dez pessoas, com até 64 anos de idade, admitem usar a camisinha em todas as suas relações sexuais. “As pessoas mais velhas usam menos preservativos do que jovens. Quando se pega dados da Pecap dá para ver”, afirmou a coordenadora do programa DST/ Aids da Secretaria Municipal de Saúde, a médica infectologista Eliana Gutierrez.

De acordo com ela, há uma população em processo de envelhecimento com a Aids, sem ao menos saber do diagnóstico. E também ocorre resistência dos profissionais de saúde em pedir o exame que identifica doenças sexualmente transmissíveis na terceira idade. “Existe uma cultura de que o idoso não faz sexo, mas como uso de estimulantes eles estão cada vez mais ativos sexualmente”, destacou a médica, ao falar sobre a importância de se realizar exames de testes rápidos que identifiquem a doença.

Análise do Dr.Paulo Camiz, médico geriatra do Hospital das Clínicas

Idoso não se preocupa com gravidez

O uso da camisinha está bastante relacionado a não engravidar e essa é uma preocupação inexistente entre os idosos. Por isso eles acabam desprezando o preservativo. A situação nos deixa alerta porque as pessoas com mais idade estão cada vez mais sexualmente ativas. Em geral, quando são orientadas a usar o preservativo, entendem com naturalidade. Busco abordar mais com as mulheres, porque elas têm uma postura de entender melhor a importância do sexo seguro. A aids nos idosos merece atenção, porque é um público com muita fragilidade.

Confira a matéria  completa publicada no Jornal Rede Bom Dia