Como geriatra, frequentemente sou questionado pelos pacientes a respeito da andropausa. A idéia de um fenômeno semelhante ao da menopausa na mulher, só que ocorrendo com o sexo masculino. Dessa forma o que posso dizer é que o termo andropausa é um nome inadequado. Há uma diminuição nos níveis de testosterona, o principal hormônio masculino com o envelhecimento? Sim. E daí surgiu a idéia da andropausa. Entretanto, essa diminuição ocorre de uma forma lenta e progressiva e permanece em níveis minimamente aceitáveis ao longo de toda a vida nos indivíduos saudáveis. Isso explica o motivo do termo ser inadequado. Não há uma pausa na produção da testosterona, como ocorre como o estrógeno nas mulheres na menopausa por volta dos 50 anos. Há uma diminuição na produção da testosterona podendo-se ainda, e devendo-se, questionar a partir de que níveis isso se trata de uma doença ou de uma evolução natural das coisas.

Na faixa etária geriátrica até os valores de normalidade são questionáveis, uma vez que só num passado mais recente se dispôs de uma quantidade de idosos passíveis de serem estudados a ponto de se chegar a um valor de referencia para o que é e o que não é normal. E mesmo assim isso é fruto de debates entre vários autores e correntes de pensamento médico. De qualquer forma, uma coisa é certa. Não há uma andropausa, pelo simples fato de não haver pausa.

De qualquer maneira, já é clara para toda a comunidade médica, que há uma associação epidemiológica entre baixos níveis de testosterona nos homens e alguns desfechos desfavoráveis. Posso citar os sintomas sexuais, alterações de humor, baixa mobilidade, perda de massa muscular, um maior risco de quedas diabetes, doenças do aparelho cardiocirculatório e até mesmo uma maior mortalidade geral nos grupos com menores níveis de testosterona. E assim, os sintomas relacionados a uma carência desse hormônio são ainda que inespecíficos, relacionados a estes sistemas sendo os principais a diminuição da libido e da disposição, humor deprimido, fraqueza e diminuição da massa muscular…

Tudo isso nos conduz naturalmente a uma nova pergunta. A reposição de testosterona previne tais desfechos? Quando há uma deficiência clara de testosterona, ou seja, níveis muito baixos no sangue, já está bem estabelecido que a reposição melhore a libido e a disfunção erétil, a densidade mineral óssea (principalmente em coluna), a energia e a disposição geral, com melhora do humor, além de haver um ganho de massa magra e diminuição de gordura corpórea. Há outros potenciais benefícios ainda em estudo relacionados aos desfechos desfavoráveis supracitados, porém com evidencias científicas fracas.

Sempre vale lembrar que tudo isso deve ser feito com o conhecimento e sob supervisão do seu médico, e que também há contra-indicações para o tratamento com reposição hormonal. Fale com o seu médico.