Audição em risco

O avanço da idade causa perda gradativa da audição, mas algumas atitudes aceleram o processo,que é irreversível.

A aposentada Francisca Carneiro de Freitas, 87 anos, adora uma boa conversa, mas, de uns tempos para cá, começou a ter mais dificuldade para escutar o que os outros dizem. “Ela interage bem, adora se reunir com as amigas. Mas, por telefone, por exemplo, ela já não escuta tanto”, conta afilha, a doméstica Nilza Mendonça de Freitas, 48 anos, que fala mais pausadamente e em tom alto com a mãe.

Segundo os especialistas, é esperado que, como avanço da idade, haja uma perda auditiva gradativa. “Os órgãos vão envelhecendo.Então, a maioria das pessoas tem esse problema por causa da degeneração. Mas é uma soma de fatores, também ligados à exposição a ruídos, a casos anteriores na família, a doenças e a hábitos que podem comprometer a estrutura dessas regiões”, aponta Andy de Oliveira Vicente, otorrinolaringologista do Hospital Cema.

Os principais sintomas são não escutar bem em ambientes ruidosos, pedir para as pessoas repetirem o que dizem, zumbido no ouvido e ter de aumentar o volume dos equipamentos eletrônicos.

Cuidados com a audição

  • Evitar exposição a sons de alta intensidade e por tempo prolongado
  • Não usar drogas
  • Controlar doenças como pressão alta, diabetes e colesterol
  • Procurar o médico ao aparecimento de qualquer sintoma relacionado à audição
  • Evitar o uso de fones de ouvido por muito tempo e em volume alto

Normalmente, é na fase senil que as pessoas começam a perceber os problemas. “Na faixa dos 60, 65 anos, de 15% a 20% dos idosos apresentam dificuldade. Aos 80, 90 anos, quase metade precisa usar algum aparelho”, diz José Ricardo Testa, otorrinolaringologista do Hospital 9 de Julho. “Vale destacar que quem se expõe a volumes altos na juventude pode ter perda de audição mais cedo”, diz o médico, que também é especialista do Hospital Paulista.

O problema é irreversível,mas há tratamentos, que vão desde aparelhos até cirurgia e implantes, dependendo de cada caso. “É importante tomar uma atitude antes que isso tenha impacto na vida social da pessoa”, observa o otorrinolaringologista Edson Fernandes dos Santos Filho, do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama. (Laís Oliveira)

Fonte:
Andy de Oliveira Vicente, otorrinolaringologista do Cema;
Edson Fernandes dos Santos Filho, otorrinolaringologista do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama;
José Ricardo Testa, otorrinolaringologista do Hospital 9 de Julho e do Hospital Paulista;
Paulo Camiz, geriatra do Hospital das Clínicas.

Matéria publicada no Jornal Agora.