Veja quais são os benefícios da ginástica cerebral para a saúde do seu cérebro.

Quem nunca teve um “branco” inesperado em um momento de tensão, prejudicando, desse modo, o desempenho da memória que a situação pedia? Com o passar do tempo ou por lesões que afetam o cérebro se o órgão não for exercitado todos os dias, perde o potencial de se remodelar conforme as necessidades do organismo – característica conhecida como plasticidade cerebral. No entanto, são poucas as pessoas adeptas de atividades que estimulam o órgão, diminuindo, assim, sua capacidade produtiva.

Com o advento das tecnologias que possibilitam inúmeras funções aos seus usuários, a atividade
cerebral é condicionada a funções menores e mais repetitivas. Para combater os efeitos do
sedentarismo e promover a longevidade do órgão, o treino, também chamado de neuróbica, surgiu
como uma ferramenta para o exercício da mente, possibilitando aos seus usuários a descoberta da capacidade funcional em atividades diárias.

E qual foi o benefício percebido pelos praticantes?

Melhor performance do cérebro em práticas que possuíam maior dificuldade de elaboração.

O que é ginástica cerebral?

A neuróbica surgiu na década de 60, mas foi descrita pelos neurocientistas norte-americanos Lawrence Katz e Manning Rudin, autores do livro Mantenha seu cérebro vivo, anos mais tarde. O surgimento desse tema veio com a percepção de que, assim como o corpo, o órgão também possui tecidos nervosos que necessitam ser exercitados para evitar o atrofiamento. No caso do cérebro, a ginástica realizada envolve a capacidade de raciocínio, além de permitir maior número de ligações entre áreas distintas do órgão. Segundo o psicólogo Thiago Gomes, “os exercícios cerebrais oferecem ao cérebro experiências fora da rotina ou inesperadas, usando várias combinações de sentidos (visão, olfato, tato, paladar e audição) além do sentido emocional”.

O número de conexões neurais aumenta quando o cérebro passa a realizar exercícios. Quando não prestamos atenção em atividades diárias, nos acomodamos à noção de que o modo de realizá-las é único, trabalhando, assim, apenas um campo cerebral. Dessa forma, Thiago ainda pontua que “a atividade cortical aumenta em variadas áreas do cérebro, fortalecendo as conexões sinápticas e ligando as áreas diferentes em novos padrões”. Consequentemente, essa função influencia na maior produção de neurotrofinas, moléculas responsáveis pelo crescimento neuronal no cérebro.

NEURÓBICA EM POUCOS PASSOS

A ginástica cerebral pode ser realizada em passos simples durante a rotina. Os exercícios, geralmente, proporcionam surpresas ao órgão, exigindo que o mesmo realize métodos diferentes de análise e realização da atividade. Veja abaixo como exercitar seu cérebro no dia a dia:
1 – Tome banho de olhos fechados;
2 – Utilize a mão oposta àquela que costuma se exercitar mais;
3 – Altere o percurso habitual, feito da casa ao trabalho ou faculdade;
4 – Leia! Os livros são excelentes ferramentas para imaginação e,
consequentemente, para estimulação da atividade cerebral.
5 – Ande pela casa de costas – e preste atenção para não se machucar!
6 – Troque de lugar alguns dos objetos que você sempre usa;
7 – Faça exercícios que envolvam o raciocínio, como palavras cruzadas e jogo dos sete erros. “Esses exercícios buscam aprimorar especialmente o raciocínio lógico ou analítico. Além de contribuir para despertar a motivação, fortalece o interesse pelo aprendizado e aquisição de novos conhecimentos”, afirma o psicólogo Thiago Gomes;

“Os exercícios cerebrais oferecem ao cérebro experiências fora da rotina ou inesperadas”
Thiago Gomes, psicólogo.

Como realizar?

Engana-se aquele que imagina que a ginástica cerebral só será realizada com
exercícios complicados. A atividade física é uma boa aposta para o treinamento do
cérebro, assim como afirma Paulo Camiz, médico geriatra e desenvolvedor do projeto Mente Turbinada. O profissional aponta, ainda, que manter-se intelectualmente ativo, por meio de leituras, contribui para o potencial cerebral.

Para Paulo, a realização de exercícios neuróbicos depende do rendimento do indivíduo que queira realizá-la. Portanto, o horário fica a critério daquele que exercitará o cérebro. Além disso, o treinamento pode ser inserido na rotina com atividades práticas, como andar pela casa estando de costas ou trocar o lugar dos objetos de uso frequente – veja mais dicas no box.

Atualmente, desenvolvedores de aplicativos vêm trabalhando nessa área neurológica devido a uma procura constante pelo aprimoramento do cérebro. O método criado por Paulo no programa para dispositivos móveis Mente Turbinada, demonstra que jogos que estimulam o raciocínio podem contribuir com maior capacidade cerebral quando aplicados durante o dia de maneira lúdica a fim de tornar a atividade mais prazerosa. Para melhorar ainda mais a capacidade de conexões entre os hemisférios cerebrais, é indicado associar o treinamento do órgão a um estilo de vida saudável, por meio de uma alimentação balanceada e atividades que mantenham o organismo tranquilo.

CONSULTORIAS

Paulo Camiz, professor, médico clínico-geral e geriatra da USP e Hospital das Clínicas de São Paulo; Thiago Gomes, psicólogo e especialista em neuropsicologia pelo Departamento de Neurologia da HC FMUSP.