Exercitar o cérebro é importante para manter e desenvolver a memória, a concentração e o raciocínio.

Algumas atividades diárias podem ajudar a treinar o cérebro e manter a mente ativa, como ler por prazer, aprender um novo idioma ou tocar um instrumento, investir no aprendizado (acumulativo processo de ensinamento por etapas, como a matemática), além de jogos e quebra-cabeças, tabuleiro ou até mesmo os jogos de videogame.

Já é do conhecimento popular que, para manter a saúde e o bem-estar, é necessário ter uma alimentação saudável e realizar exercícios físicos com frequência. Tais atitudes podem melhorar o funcionamento dos órgãos, função cardiorrespiratória, prolongar a vida, entre outros benefícios. Contudo, pouco se fala sobre a manutenção da saúde da mente, pois, assim como o corpo físico, o cérebro também precisa de atividades e exercícios regulares.

Manter a mente intelectualmente ativa é um desafio, especialmente para as pessoas idosas. Geralmente aposentadas, elas perdem o costume de resolver situações que exigem esforço intelectual.

Foi pensando nisso que, no Centro de Múltiplas Referências e Convivência do Idoso Vovó Ziza, na Capital, foi criada a Oficina da Memória, com jogos e atividades que visam estimular o cérebro, a memória, concentração e o raciocínio dos idosos atendidos.
“Tudo aqui estimula a memória afetiva, memória de longa e de curta duração. Utilizamos muitos jogos, música, caça-palavras, palavras cruzadas, Sudoku”, explica a professora Cristiane Silva Bonfim, pedagoga responsável pela Oficina.

De acordo com o médico geriatra e professor de Clínica Geral na Universidade São Paulo (USP), Paulo Camiz, o conceito de “exercitar o cérebro” é algo recente. Há cerca de 15 anos, pesquisas revelaram que os neurônios têm a capacidade de se regenerar e formar novas conexões.

Uma delas envolveu motoristas de táxi e motoristas de ônibus em Londres, na Inglaterra. Ressonâncias cerebrais evidenciaram que a área do cérebro responsável pela orientação espacial era mais desenvolvida nos taxistas. “Isto porque os taxistas faziam novos trajetos a cada dia, ao contrário dos motoristas de transporte coletivo, que sempre refaziam a mesma rota”, explica o médico e professor.

Além disso, Paulo aponta que há estudos que comprovam o aparecimento de Alzheimer em pessoas que se aposentam muito cedo ou com menos escolaridade. Este resultado pode ser indício das consequências de não manter a atividade cerebral ativa.

“Isso representa bem a importância de se manter ativo intelectualmente”.

Juventude

Paulo Camiz revela que o projeto “Mente Turbinada” foi pensado, inicialmente, para pessoas idosas, na faixa dos 60 a 70 anos. Porém, o site, que já tem mais de cinco mil inscritos, está fazendo sucesso entre crianças e adolescentes. Escolas estão adotando o sistema em sala de aula, e o médico recebe mensagens de pais e mães dos alunos. “Muitos pais ficam impressionados e estão interessados nos jogos para eles mesmos”, conta.

A professora Cristiane, do Vovó Ziza, diz que muitos idosos rejeitam a Oficina da Memória alegando que estão “bem de memória”.

“Eles acham que só devem fazer algo quando já estiverem com alguma dificuldade”, avalia. “O objetivo da aula não é este. Não é tratamento, é mais uma prevenção”, afirma.

Para o médico Paulo, ainda é necessário aprender a aperfeiçoar as atividades escolhidas para o cérebro. Muitas vezes, as pessoas realizam apenas um tipo de exercício, como um jogo de palavras, e se esquecem que é preciso estimular a mente em vários outros aspectos. “Não adianta ficar fazendo só palavras cruzadas, se o problema não for linguagem, mas sim atenção”, exemplifica.

Cristiane ainda vê como um desafio mostrar para as pessoas que cuidar da saúde da mente é parte da qualidade de vida. “Hoje, quando a gente fala em qualidade de vida, as pessoas associam muito à atividade física e alimentação. A dificuldade é fazer com que elas entendam a necessidade de treinar o cérebro também”, conclui.

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