Os Tremores e a Doença de Parkinson

Frequentemente vem ao meu consultório, pacientes com queixa de tremor. Dada a projeção global que a doença de Parkinson tomou nos últimos anos, com vários casos entre os famosos, a primeira pergunta que se fazem é: eu tenho a doença de Parkinson? E mais: o que é essa doença?

Faz-se importante ressaltar, que existem vários tipos de tremores. O tremor típico de que tem Parkinsonismo é o tremor de repouso, ou seja, com as mãos paradas sobre uma superfície e sem o uso de qualquer musculatura de sustentação. O tremor e a rigidez do parkinsonismo tendem inclusive a melhorar com o movimento, o que resulta em que se vêem inclusive pianistas que são portadores da doença, por exemplo. O tremor essencial, que é a causa mais comum de tremor é um tremor de movimento. Assim a forma mais básica de distinguir entre os dois tipos de tremor é ver se ele se manifesta com as mãos repousando ou fora do contato com uma superfície.

No parágrafo acima, eu empreguei o termo parkinsonismo. Isso nada mais é do que os sintomas de Parkinson: rigidez, lentificação, tremor de repouso e uma instabilidade postural, com tendência a quedas. E por que usei este termo, porque o parkinsonismo pode ser causado não só pela doença de Parkinson, mas por outras doenças e também por alguns medicamentos e toxinas. No caso específico da Doença de Parkinson, outros sintomas podem se somar ao que foi citado, como uma alteração de memória, distúbios do sono e alterações no aparelho intestinal e urinário.

A doença de Parkinson é uma doença neurológica e degenerativa. Os neurônios, que são as células do sistema nervoso, de uma região específica começam a morrer. Essa região é responsável pela modulação dos movimentos do corpo e a sua perda implicará nos sintomas de Parkinsonismo. As causas dessa degeneração ainda são pouco conhecidas, mas já forma encontrados cerca de 15 genes que estão associados com essa doença. Ainda assim, cerca de 70% dos casos não tem relação genética e são casos esporádicos.

Até há pouco tempo atrás, o diagnóstico era exclusivamente clínico e dependia da habilidade do médico. Hoje já dispomos de exames de medicina nuclear que auxiliam no diagnóstico, mas são indicados apenas quando há uma dúvida diagnóstica. O tratamento da doença também tem evoluído muito e ocorre uma melhora significativa nos sintomas. De qualquer forma, não é todo médico que está habilitado a tratar desta complexa doença. A recomendação é para que seja procurado um profissional qualificado. Tanto o tremor essencial como os relacionados ao parkinsonismo têm tratamento. Aborde esse assunto com o seu médico se algo nesse texto lhe chamou a atenção.